
Vejo Alex entrar no meu quarto vestindo apenas um shorts que um dia já foi branco, mas que agora estava mais vermelho do que aqueles torniquetes que estacam hemorragias.
Chega a um passo de mim, fica cara a cara, sinto o cheiro do sangue e o calor da sua voz me ordenando:
- Arrume suas coisas Lúcio, nós vamos partir.
Penso comigo mesmo: Seria melhor agora ir até até a gaveta, puxar meu revólver e matá-lo, antes que eu tenha o mesmo fim do sujeito que serviu de tinturaria para o shorts de Alex.
Deixa pra lá, eu morreria antes mesmo de ter a chance de pegar a arma. Apenas viro para ele e pergunto:
- O que aconteceu cara? Você matou alguém? - me dou conta de que a segunda pergunta não passa de pura retórica.
Ele balança a cabeça confirmando:
- E não foi só um.
Começa a caminhar em círculos pelo quarto com uma indiferença assustadora. Era o mesmo passo tranqüilo e elegante de quando o vi pela primeira cruzando os corredores da biblioteca ao lado de Flávio Culto. Nesse instante Culto me vem a cabeça. Ele já devia ter me ligado. Me despeço desse pensamento, não é hora pra isso.
Estou louco pra saber mais, e com toda a humildade que não é do meu feitio, falo :
- Me conta alguma coisa Alex
Enquanto aguardo a resposta sinto uma leve vertigem. O piso, a porta, o quarto e tudo mais vão ganhando tons de cinza. O momento, como que por magia, entra em slowmotion. Eu sei o que se passa por aqui, é mais uma vez a maldita voz que vem susurrar nas minhas idéias. Há muito tempo convivo com esse fenômeno psíquico, já m receitaram remédios mas sou arredio. Mas tudo tem um preço, recentemente essa personalidade intrusa vem aparecendo com muita frequência. Esse ''hospedeiro'' pergunta por Alex: - Como um homem nestas condições consegue manter a mesma elegância de sempre Lúcio? Ele não é lindo? Repita lentamente comigo: Lindo, lindo, lindo. Começo a abrir a boca, vou acatar as manipulações do sedutor hospedeiro. Não, ele é um maldito, um maldito e pronto.
Exorciso o intruso e volto ao controle.
Outra voz me invade, mas agora é real, vem de fora:
- Não tenho tempo pra - Alex ensaia um sorriso - matar sua curiosidade. Acordei todo o hotel, vamos dar o fora daqui o mais rápido possível.
Eu ia perguntar quem ele tinha pipocado, mas me segurei, não posso contrariar um sujeito desse, que pelo visto é tão absurdamente doente de alucinado que faz meu probleminha de desvio de pensamento parecer ser doce. Então fiquei na minha, o homem elegante era intimidador a ponto de fazer eu controlar a minha respiração pra não desagrada-lo, e o seu 1,92m de altura somado a sua 9mm faz eu rezar pra que ele não resolva abrir a gaveta da escrivaninha e ve o meu brinquedinho.
Insisto:
- O que houve?
Mais da mesma indiferença:
- Me encontre no orelhão em frente ao hotel, seja rápido e eu te conto a história.
Antes de desaparecer pelo corredor me dirige as palavras:
- Quer um conselho grátis? Não vá até o quarto.
Ele sai do meu quarto batendo a porta como quem diz siga o meu conselho.
Kanami sang imo blog. Daw spaghetti.
ResponderExcluirTo the author of this blog,I appreciate your effort in this topic.
ResponderExcluirGomen kudasai.
ResponderExcluirFeel good......
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