O Canto da Sereia


Ele te prende, seduz, até hipnotiza dependendo da afinação dessa mulher-peixe, ou seria peixe-mulher? Tanto faz, o importante nessa lenda marinha é que quem fisga não é a gente, é ela.

Um bom anúncio tem que ter um Q de canto de sereia, e não só um Q, mas um A, B, C, D... Ou seja, são de letras, ou melhor, da reunião delas que surgem as enfeitiçantes palavras, capazes de fazer o mais durão dos marinheiros a se jogar do navio e se enamorar pela marca, empresa, produto, serviço...

Shine on You Crazy Graphite


Mais vale um grafite bruto a escrever, do que um lapidado diamante a enfeitar.

De minha autoria, ou seja, autor desconhecido.

Joe, era assim que os outros lhe chamavam. Joeberson não caia bem.


Era um cara jovem. Diríamos entre jovem e adulto, ele não ultrapassou essa linha divisória imaginária, esse trópico de câncer. Acho que ele se encontrava - se é pra usar essas geo-analogias - em algum lugar entre o Alasca e a Califórnia, ou seja, tem um bom chão pela frente.

Como eu ia metralhando, se tratava de uma pessoa comum. Mediano em todos os sentidos. Bem poderia passar por um de nós. Aliás, creio que ele é um de nós. Essa querida criatura nada mais é do que um personagem fazendo às vezes de você ou de mim mesmo. É uma espécie - rara espécie, diretamente de Galápagos, um ser estranho mesmo -, uma criatura que serve de joguete pra dissimular a minha e a sua personalidade nessa história, e assim dar conta de suprir nossa falta de existência, jogando-nos ao fantástico mundo das invenções e inventices que só aqui se faz presente e em lugar nenhum mais. Enfim, somos o Joe, e o Joes ainda pretendem entender o que significa tudo isso.

Joe era fogo, escutava coisas, fala coisa com coisa e num fazia coisa nenhuma. "Para você ver como são as coisas" – costuma dizer sobre os acontecimentos ao qual não tinha a menor noção.

Um belo dia – mesmo estando chovendo horrores lá fora – Joe inventou de escrever:

Tudo estava indo bem na narrativa de Joe, seus dedos corriam pelas teclas à medida que as idéias brotavam em sua mente, palavras fluíam ainda sem destino certo, mas o importante é que linha após linha Joe conseguia contar sua história. Entretanto, surgiu algo mais “importante” pra fazer, era o trabalho que começava às oito da manhã. Precisou abortar às pressas suas inventices.
Pobre Joe, não teve tempo nem de esquentar o teclado.
Foi bom enquanto durou – pensou Joe, e assim sendo, aproveitou a deixa para dar ponto final.

Odisséia de Araque


Poderia definir o conceito de odisséia - de forma bem simples é claro -, como sendo a história de um herói e sua sublime aventura rumo à glória. Assim sendo, na atualidade se desconhece qualquer odisséia em andamento.


E quanto aos Don Quixotes da vida? - você me perguntaria. Bem, esses somente cavalgam no mundo da lua, e lá batalham com moinhos de ventos e barris de vinho. Grandes merda, não precisa ter don pra isso (se bem que imaginação fértil é coisa pra raçudo). Mas acontece que eu estou falando de um herói de verdade, me aponte um desgraçado de um Odisseu respirando na Terra hoje e eu te servirei até a morte!

E seria demais comparar a minha vida a uma dessas típicas histórias de cavaleiro andante? Com certeza.

Entretanto, creio que tento aos trancos e barrancos ser um herói, por mais que seja um bem fajuto de uma novela barata (mas de um canal alternativo), tento ser um Herói. Mas canais alternativos não passam novelas, então é mais provável que seja um desenho infantil que passa de tardezinha cheia de mensagens altruístas. Mas eu não sou nada altruísta, pode ser que seja uma propaganda de um refrigerante da moda. Mas eu não vendo nada, fora da moda total. Putz, então eu estou fora da programação.

Após extensa reflexão, decide vender uns espaços publicitários no meu “show” pra modo de sobreviver como ator, daí a TV alternativa me expulsou alegando que merchandise ali não rola.
E agora José?

“Comunicação não é o que você diz, é o que o outro entende”


Sabe quando você pensa alto e por descuido escapam as palavras da sua boca? E pra completar tem alguém do seu lado que te pergunta:
- Você falou comigo?

Pois então, essa cena mal ensaiada serviria muito bem de metáfora pra dizer como me sinto em relação a esse blog, ele não quer passar de um amontoado de idéias surgidas espontaneamente nas discussões com os meus botões. Mas ocorreu que você ouviu, agora, minha posição é delicada, tem alguém do outro lado do muro. Confesso que o meu plano não era pular aí e conversar com você, hipotético leitor. Vou tentar improvisar uma forma de contemplar a nós dois. Haja ispiração.